quarta-feira, dezembro 08, 2010

London Chronicles (ou a mais produtiva visita de sempre ao Tate Modern... a.k.a. Lixeira...)

Olá minhas gentes.
Como vos tinha dito antes, o meu grande amigo To_ veio passar uns dias aqui a Londres e no meio da neve, caril de frango, Museus à pala, Metro, Tower Bridge e outras coisas que tais, tive ainda tempo de lhe mostrar a lixeira municipal de Londres... ou como outras pessoas lhe chamam, o Tate Modern.

Não me levem a mal, é a minha opinião. E acho um desperdício brutal daquele espaço, que em tempos teve um objectivo tão nobre (era uma central eléctrica), e agora é um repositório da chamada arte moderna.

Ora então, eu normalmente vou lá e faço questão de levar lá os meus amigos para nos podermos rir do que lá está exposto... Mas desta vez foi melhor. Sem saber como, apanhámos um professor de arte moderna e uma comitiva de alunos a visitar o museu. E mais... eram Portugueses.
Nós ficámos todos contentes e vai de segui-los, um pouco à distância, para tentar, finalmente, perceber o que cara*** é aquilo que lá está exposto.

Então cá vai...
Comecemos por um dos meus favoritos que é do Clyfford Still... LOL


Professor (enquanto se aproximava da legenda do quadro): Cá está o azul. Este é um Jack Johnsen.
Professor (após ver a legenda do quadro): Afinal é um Clyfford Still.
Professor: Como podem ver, isto tem azul... e amarelo... Ele usou o azul porque era uma cor de que gostava muito.

Nota Pessoal: Eu também gostava muito de azul e fazia desenhos bem melhores que este na primária... Seria arte?

De seguida entrámos numa sala que tem 6 telas com 3x3 metros e nada lá representado...

Esta é a imagem da sala.


 E este é um dos painéis. E lá foi a crónica do professor:


Professor (enquanto se aproximava da legenda do quadro):  Este é um Ad Reinhardt. 
Professor (após ver a legenda do quadro): Afinal é um Gerhard Richter. 

Professor: Como podem ver pelos quadros... esta era uma altura muito desfocada da vida dele.

Nota Pessoal: Que era desfocada sei eu... resta saber o motivo de tal desfocagem. Vinho? Drogas? Vodka? Marreta nos cornos?

De seguida e com alguma estupefacção minha, paramos em frente a um quadro Português da Maria Helena Vieira da Silva.


Professor: Cá está a nossa Vieira da Silva. Isto é espacial, não é? Parece um túnel.
Aluna A (achando-se chique): Sim... certamente um túnel do Metropolitano de Londres.
Aluna B (achando-se patriótica e mais sabichona): É nada. É certamente o nosso Metropolitano de Lisboa.
Professor (a achar-se o maior daquele grupo): Não. É o Metro de Paris porque foi lá que ela viveu.

Nota Pessoal: Apesar de conseguir reparar que isto é uma espécie de túnel, não vislumbrei nenhum sinal que fosse dum metropolitano. Mas gostei da atitude do professor.

Houve mais comentários inesquecíveis do professor em questão...
No Tate Modern existem uns placards com os movimentos de arte moderna e os principais "criadores" dessa arte. Então o professor vira-se para os placards e diz:

Tão a ver? Os movimentos todos da arte moderna e os pintores. São... 50 e tal e eu sei-os a todos. Estão a ver porque é que nunca sei os vossos nomes.

Clássico... simplesmente, clássico.

Não vos vou chatear mais com isto, mas vou dizer-vos que foi uma tarde muito bem passada. Eu literalmente chorei ao ouvir os comentários dum entendido de arte moderna e fiquei ainda mais convencido do meu pensamento inicial que o Tate é um desperdício de espaço e dinheiro. Mas pronto, não é o meu dinheiro e sempre dá para umas boas gargalhadas, né?

1 comentário:

To_ disse...

Uma tarde bem passada à conta do professor. Quase nos desmanchava-mos a rir.

Os comentários do professor foram de uma precisão milimétrica. Era cada tiro, cada melro :)